quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ParaNorman (2012)

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ParaNorman de Chris Butler e Sam Fell é um dos grandes sucessos do cinema de animação do ano e, seguindo uma tendência que parece estar a renascer tanto no cinema como na televisão, aqui os mortos-vivos estão bem e recomendam-se.
Norman (Kodi Smith-McPhee) é um miúdo aparentemente normal mas socialmente disfuncional. Se todos o acham estranho quando o vêem pelas ruas a falar sózinho mais o vão colocar de lado quando ele revela na sua pequena cidade que não só comunica como também vê os mortos que, segundo ele, se encontram por todo o lado incluindo na sua própria casa.
No entanto a pequena cidade de Blithe Hollow tem os seus próprios segredos e lendas que anunciam o regresso de uma bruxa que fora inocentemente morta às mãos da população da cidade alguns séculos antes, e que agora preparará a sua vingança. Mas não é só ela que irá regressar... Também os seus sete acusadores irão ganhar vida e assustar (ou talvez não) a pacata cidade que fará tudo para se defender de tais "invasores".
Chris Butler que além de realizar este filme também escreveu o seu argumento, transforma-o não só num divertido filme como à semelhança de todas as animações, numa história com uma mensagem de valorização para o seu público alvo que é, maioritariamente, o mais juvenil. Todos nós sabemos ou conhecemos alguns daqueles miúdos que a uma dada altura eram incompreendidos por todos. Por terem uns hábitos estranhos, por coleccionarem algo fora do normal, pelo que vestiam ou pelos temas de conversa que tinham. Por um ou por outro motivo eles sempre foram ignorados ou pressionados pela maioria dos outros que na presença de um dito "estranho", encontraram nele o escape para todas as pressões e chacotas dos demais.
É exactamente aqui que este filme deixa a sua mensagem. No meio de uma sociedade preocupada demais com os seus próprios problemas (e quando eles não existem tentam-se criar), o mais fácil é afastar, esconder ou repudiar aquele que entre os demais se destaca. Não por ser um grande atleta que todos admiram pelas suas vitórias desportivas, ou tão pouco por ser o tipo mais inteligente da escola. Pelo contrário, "este" repudia-se simplesmente porque não é uma coisa nem outra... Repudia-se por ser um entre tantos que a dada altura se achou simplesmente "diferente", pois é aqui que reside essencialmente o seu grande "problema", ao não alinhar na corrente. No entanto, é este mesmo "indivíduo" que acaba por se transformar, dadas as suas próprias características, no elo de ligação entre os que estão e aqueles que chegam... entre o "nós" e o "eles", que são inicialmente encarados como um perigo mas que quando se arrisca comunicar e conhecer se consegue perceber que apenas querem o seu próprio espaço e o seu descanso... que neste caso se quer eterno mas que tem apenas a duração de um ano.
Não só a mensagem anti-bullying consegue ter o devido efeito e ser muito bem transmitida como também não deixa de ser interessante que já nos próprios filmes de animação se pretende transmitir que a diferença entre os indivíduos acaba por ser algo que os enriquece e não que os divida... As etnias diferentes já são uma constante, o miúdo mais gordito lá da escola que já não encara o seu peso excessivo como um problema ou, como aqui também se nota, a sexualidade que já é abordada como um assunto perfeitamente normal e enquadrado na história e que se pretende ser, também este, um assunto encarado com normalidade e não um tabu que simplesmente não existe.
As mensagens de tolerância e de aceitação, principalmente aquela que o "eu" deve exercer para todos aqueles que vêem este filme, são uma constante. Este é, à semelhança daquilo que acontece em tantos outros senão todos, os filmes de animação, o verdadeiro ensinamento que os filmes de animação tentam, e em muitos casos conseguem, transmitir... o respeito pela diversidade, pela igualdade e a aceitação da diferença como uma parte de uma sociedade e de um todo.
E ainda assim se optarmos por esquecer tudo isto e encará-lo simplesmente como um filme de animação ele é também um muito bem conseguido exemplo de bom entretenimento que nos consegue proporcinar algum divertimento e boa disposição numa mistura que se divide em doses iguais de The Walking Dead e Ghost Whisperer.
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7 / 10
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1 comentário:

  1. Muito, muito bom. Se atendermos à altura em que deve ter começado a ser feito, só peca por não ter saído mais cedo.

    Espero que tenha tido a recepção adequada nos EUA...

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